Ser macho, por sua vez, não é apenas uma afirmação de masculinidade: é uma afirmação de coragem, valentia, determinação, que são características associadas ao mundo adulto masculino, mas não só a ele. Rita Lee compôs uma música, Pagu, em que diz: sou mais macho que muito homem. Você já deve ter escutado na voz de Maria Rita, e olhe bem para ambas: duas doces criaturas.
Assim é. Um menininho de sete anos pode ser obrigado a enfrentar uma situação difícil e revelar que é muito macho. Várias mulheres demonstram todo dia sua macheza: ao brigar por seu emprego, ao batalhar o sustento dos filhos, ao reivindicar seus direitos - e nem por isso deixam de ser femininas. Uma garotinha pode ser macho. Uma senhora de idade. Um gay.
Semana passada, o governador de Nova Jersey, nos Estados Unidos, reuniu a imprensa para comunicar sua renúncia, justificando-a: havia sido infiel à sua mulher. E sublinhou: infiel com outro homem. Não estava renunciando apenas por ser gay, que isso em nada compromete o desempenho de um homem público, mas renunciando porque se sentia vulnerável para seguir ocupando o cargo. Tendo mantido segredo de sua condição sexual, ele estava agora sujeito a ser vítima de fofocas, falsas acusações e ameaças. Nos bastidores, sabe-se que ele estava sendo chantageado pelo ex-amante. Então o que ele fez? Foi de mãos dadas com a esposa enfrentar a opinião pública e revelar a verdade. James McGreevey, seu nome. Um governador americano que, ao contrário daqueles que disfarçam, tergiversam e saem pelos fundos, prestou contas da sua intimidade numa das situações mais embaraçosas que há. Pouca gente teria peito pra tanto. Foi mais macho que muito homem.
Por Martha Medeiros
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