quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Família perfeita(?)!

 
Simplesmente perfeitos. Cada qual com seu jeito mais luminoso de ser.
Andavam todos alinhados, como se marchassem em direção ao exército, esbanjando alegria, simpatia e inveja aos moradores do bairro.
Não era um esquadrão, era apenas uma família, mais não uma família normal, era a mais exímia daquele lugar.
Quem os via passar na rua, esbeltos, como se estivessem passeando pelo céu, pensava a todo o momento se aquilo seria verdade, ou apenas uma jogada de marketing da ascendência.
O choro da criança dentro da casa trouxe dúvidas aos moradores. Era ela, a filha mais nova do casal cuja perfeição indignava os adjacentes. A mulher, ao sair para o mercado, parecia esconder algo, talvez as manchas roxas no rosto, por ter sido espancada pelo marido noite passada. Noutro dia, o marido não saiu como de costume para o trabalho, e como se não bastasse, os boatos correram pela cidade inteira.
Os dias se passaram e o que antes era apenas um rumor, agora era realidade. A mulher matou o marido a facadas, cansada daquele jogo de aparências.
A família perfeita não existe. Importante é ser normal, isso basta!

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